IA aplicada02

CRIS

Contract Risk Intelligence System

Ecossistema multiagente que audita contratos de engenharia pesada até a exaustão do risco, não até o fim da leitura.

agentes coordenados
camadas de validação
limiar de confiança para revisão humana
RAG multiagenteBusca vetorialLimiar de confiança
ClaudePineconen8nPostgreSQL
Também usado
Código privado, demonstração sob pedido

CRIS (Contract Risk Intelligence System) é um sistema multiagente de auditoria de contratos, construído com Claude Sonnet 4.0 e um pipeline de 11 agentes especializados, cada um com busca vetorial (RAG) própria. Audita contratos de engenharia pesada de R$50M a R$100M+, mapeando riscos jurídicos e financeiros que uma revisão manual não teria fôlego para esgotar. Já identificou mais de R$5 milhões em vulnerabilidades. O sistema não decide sozinho: amplia a revisão da equipe jurídica humana, que mantém a decisão final.

Em resumo

ProblemaContratos de centenas de páginas com riscos entrelaçados que auditoria manual não esgota.
SoluçãoEcossistema multiagente com validação em 3 camadas escalada pelo valor do contrato.
ResultadoAuditoria exaustiva que já identificou mais de R$5M em vulnerabilidades contratuais, com cadeia de custódia e dúvida explícita abaixo de confiança 0.7.

O problema

centenas de páginasriscos entrelaçadossemanas de revisão

Contratos de engenharia pesada, como obras portuárias e plantas industriais, chegam a dezenas de milhões de reais e centenas de páginas de cláusulas técnicas e jurídicas entrelaçadas.

Cláusulas de penalidade mal mapeadas viram multas pesadas por descumprimento involuntário, e auditorias manuais raramente têm fôlego para esgotar 100% dos riscos escondidos na interdependência entre cláusulas.

O resultado é semanas de revisão jurídica especializada para chegar a um retrato ainda parcial do risco, tempo que a equipe de administração contratual não recupera para negociar.

O impacto

exaustivo, não amostralprevenção de multas

Auditoria de risco exaustiva, não amostral: relatórios acionáveis para quem decide antes e durante a execução do contrato.

Prevenção de multas: verificação automatizada de conformidade e prazos onde antes só havia revisão pontual.

Semanas de revisão manual devolvidas à equipe: tempo para negociar, não para vasculhar cláusulas.

Em uso real, mais de R$5 milhões em vulnerabilidades contratuais identificadas.

Como foi medido

R$ 5M+ em exposição contratual mapeada

Em contrato de obra, cláusula ambígua não é problema abstrato: é porta aberta para pleito da contratante. E pleito nesse tipo de contrato raramente cobra valor fixo, cobra percentual do valor total da obra. Cada ambiguidade encontrada foi dimensionada por esse critério, em frentes diferentes do contrato. Somou-se a isso o escopo de suprimentos, onde a lista descrita não fechava com o que a execução exigiria: sem revisão, a diferença de compras seria absorvida pela contratada. O número é a soma dessa exposição mapeada, não perda incorrida.

Confiança não é binária: admitir dúvida é o que torna o sistema confiável em contratos de R$ 100M+.

O pipeline

O contrato não é lido de uma vez

Entra um PDF escaneado de mais de 70 páginas; sai um dossiê de risco rastreável até a cláusula de origem. As etapas entre um e outro existem por um motivo só: nenhum modelo analisa um contrato inteiro de uma vez sem perder precisão. Role para ver o pipeline completo e depois cada etapa de perto.

contratochunksragbusca vetorialagenteconsolidaçãodossiê de riscochunk ·01 / 11AGENTEobrigaçõesheurístico de riscoescala severidade 1 – 9ragbusca vetorialconsulta ×Nconsulta →← contextorisco detectadocláusula 8.2severidade 9 / 10×11 instâncias
01 / 07

O pipeline completo

Seis etapas entre o contrato bruto e o dossiê de risco. Cada uma resolve um problema específico que a anterior deixou em aberto. A partir daqui, a câmera entra em cada uma delas.

Arquitetura

11 agentes1 modelocheckpoint resiliente

Um único modelo (Claude Sonnet 4.0) orquestra 11 agentes especializados, cada um com sua própria busca vetorial sobre o contrato inteiro. Nenhum agente processa o documento todo de uma vez.

IngestãoOCR (LlamaParse) + chunking programático pela hierarquia de títulos do próprio contrato
Agentes11 agentes (Claude Sonnet 4.0): obrigações, financeiro, operacional, procedimental, suprimentos e mais, cada um com busca RAG própria (Pinecone)
ResiliênciaCheckpoint em Supabase, que retoma exatamente de onde parou, sem reprocessar 70+ páginas do zero
Validação3 camadas de checagem, escaladas por valor de contrato

Decisões

Antes de qualquer IA entrar em cena, eu já tinha um problema para resolver: o contrato chegava como PDF escaneado, imagem, sem uma letra selecionável. Resolvi isso com OCR (LlamaParse), convertendo o documento inteiro para markdown.

Só que aí veio o problema de verdade. Mesmo com o texto em mãos, um contrato de mais de 70 páginas não cabe numa análise séria de uma vez só: modelos de linguagem perdem precisão exatamente no meio de contextos longos (um problema documentado, não impressão minha), e mesmo que não perdessem, ninguém faz uma leitura linha a linha de 70 páginas dentro de um único prompt.

Pensei em quebrar o contrato em blocos e mandar cada bloco para a IA analisar. Isso trocou um problema por outro: um agente vendo 5% do contrato fica cego. Sem entender o resto da estrutura, ele não consegue montar uma análise coerente.

A resposta veio de pensar em como um advogado de verdade trabalha: quando tem dúvida sobre uma cláusula, ele não relê o contrato inteiro, volta e confere só a parte que precisa. Por que a IA não faria o mesmo? Cada agente ganhou acesso a uma busca vetorial (RAG) sobre o contrato completo, consultando sob demanda em vez de carregar tudo de uma vez.

A primeira versão dessa arquitetura deixava um modelo decidir, bloco a bloco, quais agentes deveriam entrar: um roteamento dinâmico rastreado em banco de dados. Funcionava, mas rastrear a conclusão assíncrona de cada agente por bloco virou mais complexidade do que valia a pena. Simplifiquei: todo bloco passa pelos 11 agentes em ordem fixa, e a resiliência vem de um checkpoint simples. Se o processo cair no meio de um contrato de 70+ páginas, ele retoma exatamente de onde parou.

Limites e o que ficou de fora

  • O sistema lê o contrato, não a lei. Os modelos não tinham acesso consultável à legislação brasileira, então nuance de norma aplicável, hierarquia entre cláusula e lei e jurisprudência podem passar. Nada que o CRIS aponta é conclusão jurídica: é insumo para quem responde tecnicamente pelo parecer.
  • A calibragem é deliberadamente pessimista. O prompt combina cadeia de raciocínio explícita (chain-of-thought) e conservadorismo extremo, porque num contrato desse valor é preferível um alarme falso a um risco não visto. O efeito colateral é observável: excesso de ruído pessimista, com parte dos apontamentos não se confirmando na revisão humana.

Lógica de domínio

3 níveisR$ 50M / R$ 100Mconfiança ≥ 0.7

Para eliminar alucinação em contratos multimilionários, o CRIS escala o rigor da validação junto com o valor do contrato.

Nível 1 · PadrãoTodos os contratos
  • Cadeia de custódia: cada risco cita cláusula e página de origem
  • Incerteza obrigatória: confiança abaixo de 0.7 aciona revisão humana
  • Validação cruzada: riscos críticos confirmados por 2+ agentes independentes
Nível 2 · Análise negativaR$ 50M+
  • O que não está definido no contrato, e o risco que isso representa
  • Inversão de perspectiva: agentes simulam a contraparte explorando as cláusulas
Nível 3 · EstresseR$ 100M+
  • Simulação de cenários adversos: atraso crônico, rescisão antecipada
  • Revisão adversária: agentes tentam quebrar a própria conclusão do sistema

Aprendizados

Confiança não é binária: o sistema aprende a admitir dúvida (< 0.7) antes de fingir certeza, e é isso que o torna confiável em contratos de R$ 100M+.